terça-feira, 5 de maio de 2009

parte IV



Os cabelos negros dele estavam esvoaçando, deixando seu rosto encantador em evidência, foi à melhor visão que tive dele em todos esses dias, pude ver a linha de seu maxilar de frente, com traços firmes e definidos, suas sobrancelhas grossas que deixa o seu olhar mais marcante, minhas primeiras palavras lhe faltaram com elogios, sua beleza era um insulto a qualquer outro humano, e até mesmo a um Deus grego, analisar suas formas me deixava mais realizada do que qualquer visita a museus e exposições, queria poder fazer uma estátua dele naquele momento, ele estava suado, provavelmente tinha jogado com o Diogo, sua camiseta grudava em seu peitoral, e sim, ele continuava com o movimento confortável, mesmo que com mais velocidade, a calça agarrava seu corpo, contornando suas cochas, e digamos que pela primeira vez, não o vi como uma obra a se apreciar, o enxerguei como um homem, deixara naquele momento de ser um ‘enigma humano’ para ser meu ‘homem enigma’, não um objeto de estudo, e sim, um alvo de desejo, de meu total e primo desejo.

sábado, 2 de maio de 2009

parte III

Pela primeira vez pude ver os seus olhos, mesmo que em um movimento vacilante, como se ele estivesse cometendo um erro. A alma estava presente, na verdade, muito mais que a alma, seus olhos eram profundos, capazes de fazer qualquer um se perder em tamanha imensidão, cheios de segredos, neles encontrei todo o encanto de um universo, um universo na era glacial, de um frio que transpassou todo o meu corpo, cheguei até a pensar que estava queimando.
Seu peitoral se mexia conforme ele respirava em um movimento extremamente viciante e confortável, não o vi mais olhando para mim, a forma como ele reparte o cabelo ao meio deixando cair sua franja nas laterais impossibilita que eu perceba, mas posso até arriscar que senti outra vez todo o gelo.



parte II



Procurei encontrar os olhos dele, e me livrar de parte da perturbação do sonho passado, mas no momento em que podia, eu tremi, e se nos olhos dele não encontrasse sua alma? Frustração, eu não estava preparada para me frustrar ainda, então bastou os meus pensamentos.
Nesses últimos dias não há nada mais proveitoso do que passar meus intervalos o observando, me derreto, não consigo disfarçar, fico em choque, boquiaberta, seus cabelos negros me hipnotizam é como se neles se encontrassem todos os mistérios da noite, olhar seu rosto é como observar o luar, uma harmonia perfeita que não cansa meus olhos. Nunca pude encontrar os olhos dele nos meus, não fui notada, sou comum demais para chamar atenção de um enigma humano, que eu resolveria com todo empenho possível, e me desaponto.